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Golden Visa na Europa: o que restou depois do fim espanhol
A Espanha encerrou o golden visa em abril de 2025 e Portugal tirou o imóvel antes. O mapa da residência por investimento na Europa mudou — e confunde.
Neste artigo
Por anos, o roteiro foi simples: invista o suficiente — quase sempre em imóvel — e receba uma residência europeia. O “golden visa” virou sinônimo de porta de entrada no Velho Continente, e Espanha e Portugal foram os destinos mais buscados por brasileiros.
Esse roteiro envelheceu mal. Em 3 de abril de 2025, a Espanha encerrou o seu golden visa. Portugal já havia retirado a via imobiliária em outubro de 2023. Grécia elevou os limiares. Malta perdeu o programa de cidadania por decisão da Corte de Justiça da UE. O mapa mudou — e a maioria das buscas ainda enxerga uma versão desatualizada dele.
Este artigo faz o retrato atual da residência por investimento na Europa, com a norma citada, e — mais importante para uma família — separa o que o golden visa é do que ele não é.
O que fechou, o que apertou, o que restou
O movimento foi coordenado por duas pressões: as recomendações da Comissão Europeia (riscos de lavagem, evasão e fragilidade de controle) e a política habitacional em cidades como Madri, Barcelona e Lisboa, onde o investidor estrangeiro virou um problema doméstico.
- Espanha — encerrado. A Lei Orgânica 1/2025 aboliu a residência para investidores, com efeito a partir de 3 de abril de 2025. Exigia €500 mil em imóvel (ou valores maiores em ações, fundos, depósito ou títulos públicos). Quem já tinha o visto mantém os direitos; novos pedidos não são mais aceitos.
- Portugal — sem imóvel. A reforma Mais Habitação removeu, em outubro de 2023, todas as rotas imobiliárias. O golden visa continua existindo, mas por fundos, inovação, patrimônio cultural, ciência e empreendedorismo — não mais por compra de imóvel. Mantém baixa exigência de permanência e caminho à cidadania em cinco anos.
- Grécia — mais caro. Os limiares subiram para €800 mil em zonas de alta demanda (Atenas, Tessalônica, Míconos, Santorini) e €400 mil nas demais; os €250 mil antigos só valem para projetos de conversão/restauração.
- Malta — sem cidadania. A Corte de Justiça da UE declarou ilegal o programa de cidadania por investimento maltês.
- Itália e outros — foco em investimento estratégico em empresas, dívida ou filantropia (nunca foi um modelo de compra de imóvel).
O resultado é que a via mais popular — residência europeia pela compra de um imóvel — praticamente desapareceu nos dois destinos que a consagraram.
O que o golden visa nunca foi (e continua não sendo)
Aqui está o esclarecimento que evita a decisão errada, e que o marketing de migração raramente faz.
Golden visa não é cidadania. É, em regra, uma autorização de residência — um direito de morar, com mobilidade Schengen —, que só conduz à cidadania após anos de residência efetiva e cumprimento de requisitos (idioma, permanência, integração). Comprar o visto não compra o passaporte.
Golden visa não é residência fiscal. Ter o direito de morar em um país não o torna, automaticamente, residente fiscal dele — nem o desliga do Fisco do país de origem. É a mesma distinção que tratamos em Residência legal e residência fiscal: são planos diferentes, com regras diferentes.
Golden visa não resolve a saída do Brasil. Obter uma residência europeia não formaliza, por si, o encerramento da sua residência fiscal brasileira. Sem a saída definitiva do Brasil feita corretamente, o Brasil continua tributando a sua renda mundial — golden visa ou não.
Ou seja: o golden visa é uma peça de mobilidade e residência, não um plano tributário nem sucessório. Confundi-lo com isso é a origem de decisões caras.
Nota de responsabilidade: os programas de residência por investimento, seus limiares, requisitos e prazos mudam com frequência e variam por país; vários foram alterados apenas nos últimos dezoito meses. As regras deste artigo refletem o quadro verificado nas fontes oficiais em julho de 2026. Nenhuma decisão de migração deve ser tomada sem confirmar o programa vigente na fonte oficial e, do lado brasileiro, sem planejar a residência fiscal e a saída.
E se o objetivo for eficiência fiscal, não só mobilidade?
Vale a franqueza. Se o que a família busca é mobilidade e um pé na Europa, o golden visa (onde ainda existe) pode fazer sentido — hoje, sobretudo por Portugal (fundos) ou Grécia (imóvel, em outro patamar).
Mas se o objetivo é eficiência tributária e organização patrimonial, o golden visa é o instrumento errado para essa pergunta — ele não muda a sua residência fiscal nem resolve o país de origem. Nesse caso, a comparação relevante não é “qual golden visa”, e sim “qual residência fiscal real, com substância, atende ao meu caso” — o que reabre a comparação com destinos como o Uruguai, tratada em Residência no Uruguai: o que mudou em 2026, e, para quem ainda pensa em Portugal, com o novo IFICI, que substituiu o RNH.
Perguntas frequentes
Ainda consigo golden visa na Espanha comprando um imóvel?
Não. A Espanha encerrou o golden visa em 3 de abril de 2025. Quem já tinha mantém os direitos; novos pedidos não são aceitos.
E em Portugal, comprando um imóvel?
Não por imóvel. Portugal removeu a via imobiliária em 2023. O golden visa segue por fundos, inovação e outras rotas.
O golden visa me dá cidadania europeia?
Não automaticamente. É uma autorização de residência que pode conduzir à cidadania após anos de residência e cumprimento de requisitos.
O golden visa me torna residente fiscal e me tira do Brasil?
Não. Residência legal não é residência fiscal, e o golden visa não formaliza a saída do Brasil. Sem a saída definitiva, o Brasil continua tributando sua renda mundial.
Como verificar por conta própria
- Fim do golden visa espanhol — Lei Orgânica 1/2025, publicada no Boletín Oficial del Estado.
- Golden visa de Portugal (rotas atuais) — a autoridade de migração portuguesa (AIMA) e a legislação da reforma Mais Habitação.
- Limiares da Grécia e demais programas — as autoridades competentes de cada país.
Se algum ponto divergir da fonte oficial no momento em que você o lê, a fonte oficial prevalece.
O ponto de partida
O golden visa europeu não morreu, mas encolheu — e a via do imóvel, que o popularizou, praticamente saiu do mapa nos dois destinos preferidos. O que ficou exige olhar com atenção: o que é residência, o que é cidadania, o que é (e o que não é) plano fiscal.
A pergunta certa não é “qual golden visa compro”. É “o que eu realmente quero — mobilidade, residência fiscal, sucessão? — e qual instrumento atende a isso, considerando o meu país de origem?”. Confundir as três coisas é o erro clássico.
É disso que trata o nosso trabalho de residência e vistos e de residência fiscal: separar mobilidade de tributação, e escolher o instrumento certo para cada objetivo.
Uma conversa é suficiente para saber se um golden visa resolve o que você busca — ou se a sua pergunta era outra.
Conteúdo informativo. Não constitui aconselhamento jurídico, fiscal, contábil, de investimento ou de imigração. As normas citadas foram verificadas nas fontes oficiais indicadas em julho de 2026 e mudam com frequência. Programas de residência exigem análise individual e confirmação na fonte oficial.