Proteção Patrimonial · 27 de julho de 2026 · 6 min de leitura

Pied-à-terre tax de Nova York: o novo custo do imóvel parado

Nova York criou em 2026 uma sobretaxa anual sobre segundas residências de não residentes. Ela se soma ao FIRPTA e ao imposto sucessório americano.

Um apartamento em Manhattan usado poucas semanas por ano é, para muitas famílias latino-americanas, mais do que lazer: é reserva de valor, é pé em Nova York, é diversificação. Durante anos, o custo de mantê-lo parado era o IPTU local e pouco mais.

Isso mudou. Em 2026, Nova York criou uma sobretaxa anual sobre segundas residências de alto valor cujos donos não moram na cidade — a chamada pied-à-terre tax. E ela foi desenhada, nas palavras dos próprios formuladores, para alcançar “residentes de fora e elites globais” que usam o imóvel nova-iorquino como cofre. O comprador estrangeiro é, explicitamente, o alvo principal.

Este artigo explica a nova taxa, como ela se empilha sobre os tributos que já existiam, e por que ela reforça uma conclusão que já vínhamos fazendo sobre imóveis nos EUA: o custo real de posse vai muito além do preço de compra.

O que é a pied-à-terre tax

O termo vem do francês “pé no chão” — a residência urbana de uso ocasional. A nova taxa é uma sobretaxa anual sobre imóveis residenciais na cidade de Nova York que não são a residência principal do dono.

Os contornos essenciais, conforme a legislação do orçamento 2026-2027, com vigência a partir de 1º de julho de 2026 (e cláusula de encerramento em 2031, se não prorrogada):

  • A quem se aplica. Imóveis residenciais de alto valor — casas de uma a três famílias e condomínios/cooperativas — que não sejam a residência principal do proprietário, quando a residência principal está fora dos cinco distritos.
  • Faixas de valor e alíquotas anuais. Na configuração divulgada: 0,8% para imóveis entre US$ 5 e 15 milhões; 1,05% entre US$ 15 e 25 milhões; e 1,3% acima de US$ 25 milhões, com limiares de enquadramento que se ampliam ao longo da implementação.
  • Quem escapa. O imóvel usado como residência principal pelo dono ou por sua família, ou alugado a um inquilino que o use como residência principal com contrato de pelo menos um ano. Aluguel de curta duração e imóvel vazio não escapam.

O recado da política é claro: manter um imóvel caro parado em Nova York passou a custar, todo ano, uma fração relevante do seu valor.

O ponto que muda a conta: ela empilha

O erro mais comum é olhar a pied-à-terre tax isolada. O relevante é como ela se soma à pilha de tributos que o proprietário estrangeiro enfrentava. Para um apartamento de US$ 10 milhões, a realidade combinada:

TributoQuandoNatureza
Transfer tax (cidade + estado)Na compraÚnico
Mansion taxNa compraÚnico
IPTU (property tax)Todo anoRecorrente
Pied-à-terre taxTodo anoRecorrente (nova)
FIRPTA (retenção na venda)Na vendaÚnico
Estate taxNa morteÚnico

A pied-à-terre tax é a terceira camada recorrente sobre a posse — somada ao IPTU e, quando aplicável, a outras taxas. E ela convive com dois eventos que já tratamos: a retenção de 15% do FIRPTA na venda e o imposto sucessório de até 40% sobre imóveis situados nos EUA, ambos detalhados em Imóvel nos EUA via LLC. A pergunta para o dono deixou de ser “consigo absorver a sobretaxa uma vez?” e passou a ser “quero pagá-la todo ano, pela próxima década, sobre um imóvel que uso poucas semanas?”.

Nota de responsabilidade: a pied-à-terre tax de Nova York é recente, tem implementação faseada e cláusula de encerramento, e seus limiares, alíquotas e isenções podem ser ajustados pela legislação e pela administração municipal. As regras aqui foram verificadas nas fontes oficiais em julho de 2026. O enquadramento de um imóvel específico — valor, uso, aluguel, estrutura de titularidade — deve ser confirmado caso a caso, com assessoria nos EUA.

O que fazer com um imóvel já detido

Não há fórmula, mas há caminhos a analisar — cada um com trade-offs.

Verificar o enquadramento e as isenções. Nem todo imóvel de não residente cai na sobretaxa. Um contrato de locação de longo prazo a um inquilino que use o imóvel como residência principal pode afastá-la — mas transforma o “pied-à-terre” em investimento de renda, com as consequências fiscais do aluguel para não residente (retenção de 30% no bruto ou eleição pelo líquido).

Refazer a conta de posse. Somando IPTU, pied-à-terre tax e o custo de oportunidade, o imóvel parado pode ter deixado de fazer sentido — ou não. É uma conta de números, não de apego.

Rever a estrutura de titularidade. Como sempre em imóveis nos EUA, a forma de deter (nome próprio, LLC, sociedade estrangeira) interage com FIRPTA, estate tax e agora com a carga de posse. E a participação entra na conta da DCBE ao Banco Central do lado brasileiro.

Perguntas frequentes

Eu moro no Brasil e tenho um apartamento em Nova York que uso nas férias. Pago a pied-à-terre tax?

Se o imóvel se enquadrar nos limiares de valor e não for residência principal sua, de sua família ou de um inquilino de longo prazo, em regra sim — é uma sobretaxa anual.

Ela substitui a mansion tax?

Não. A mansion tax é única, paga na compra. A pied-à-terre tax é recorrente, todo ano. Podem incidir ambas.

Alugar o apartamento afasta a taxa?

Pode afastar, se for aluguel de longo prazo a um inquilino que o use como residência principal. Aluguel de curta duração e imóvel vazio não escapam — e o aluguel tem tributação própria para o não residente.

Ela se soma ao FIRPTA e ao imposto sucessório?

Sim. São tributos distintos: a pied-à-terre tax incide na posse; o FIRPTA, na venda; o estate tax, na morte. Todos podem alcançar o mesmo imóvel.

Como verificar por conta própria

  • Pied-à-terre tax — legislação do orçamento estadual de Nova York (exercício 2026-2027) e as orientações do Department of Finance da cidade.
  • FIRPTA e imposto sucessório de não residentes — o IRS (Seção 1445 e estate tax de “nonresident not a citizen”).

Se algum valor ou regra divergir da fonte oficial no momento em que você o lê, a fonte oficial prevalece.

O ponto de partida

A pied-à-terre tax não é, isoladamente, um golpe fatal — é mais uma camada. Mas é justamente o efeito de empilhamento que redefine o custo de manter um imóvel de alto valor parado em Nova York para quem mora fora.

A pergunta certa não é “quanto é a nova taxa”. É “qual o custo total de posse do meu imóvel nos EUA — compra, posse anual, venda e sucessão — e ele ainda faz sentido, na estrutura certa?”. A resposta é de conta, dos dois lados da fronteira.

É disso que trata o nosso trabalho de proteção patrimonial e de planejamento tributário: dimensionar o custo real de cada ativo antes que ele surpreenda.

Uma conversa é suficiente para saber se o seu imóvel em Nova York ainda compensa — e como detê-lo.


Conteúdo informativo. Não constitui aconselhamento jurídico, fiscal, contábil ou de investimento, nem opinião sobre direito americano. As normas citadas foram verificadas nas fontes oficiais indicadas em julho de 2026 e podem ser alteradas. A tributação de imóveis nos EUA exige análise individual, com assessoria nos Estados Unidos e no Brasil.

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